quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Supremacia de Deus na Pregação - Resenha

Resenha do Livro Supremacia de Deus na Pregação
Por Nilvaci B. dos S. de Oliveira

PIPER, John. Supremacia de Deus Na Pregação. Traduzido por Augustus Nicodemus Lopes. São Paulo: Shedd, 2004. pp 108.



John Stephen Piper é um escritor e ministro batista reformado, que atualmente serve como pastor sênior na Igreja Batista Bethlehem em Minneapolis, Minnesota. É muito conhecido por causa de seu livro "Desiring God". O autor conta que quando ainda jovem ao ouvir uma pregação tocou sua vida, tornando-o um pregador, posteriormente. Para ele ficou claro que a Palavra nunca volta vazia. O livro é dividido em duas partes. Na primeira baseada em estudos apresentados pelo próprio autor no Gordon-Conwell Theological Seminary, em 1988, John Piper traz argumentos a favor da presença da supremacia divina na pregação.A segunda parte da obra foi elaborada a partir de palestras em 1984 no Wheaton College. Os capítulos desta segunda parte são todos baseados nos escritos do teólogo Jonathan Edwards, em que suas idéias e pensamentos são uma grande influência na vida e nos estudos de John Piper. O autor em seu prefácio começa mostrando suas preocupações e experiências que como bom e fiel pregador da Palavra de Deus deve ter. É a grandeza da santidade de Deus que tocará o clamor secreto da alma. Piper relatar uma experiência que muito marcou sua vida lhe dando cada vez mais a certeza do seu dever de pregar a Palavra de Deus apresentando Deus em Sua essência, em Sua grandeza, em Sua santidade.
Nas palavras de Piper: “Sua tarefa como pregador não é dar ao povo conselhos moralistas ou psicológicos sobre como se dar bem no mundo, qualquer um pode fazer isso”. Pois a maioria de nosso povo, ainda ele acrescenta dizendo: “Não tem ninguém no mundo que lhes fale, semana após semana, sobre a suprema beleza e majestade de Deus”.
No primeiro capítulo da primeira parte de seu livro em: “Porque Deus Deveria Ser Supremo na Pregação e O alvo da pregação é gloria de Deus”, o autor apresenta um esboço chamado

de trinitariano que quer dizer: "que o alvo da pregação é a glória de Deus, a base da pregação é a cruz de Cristo e dom da pregação é o poder do Espírito Santo. E ainda refere-se às palavras do apóstolo Paulo em que diz: "Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. “A ele, pois, a glória eternamente (Rm 11.36)”.
Seu objetivo é sustentar a supremacia de Deus na pregação. Piper expressa sua tamanha tristeza quanto ao o que as pessoas tiram do culto hoje em dia – “a percepção de Deus, a nota da graça soberana, o tema da glória panorâmica, o grandioso objeto do Infinito Ser de Deus?”
Piper encerra este capítulo dizendo que quando Deus manda proclamar sua Palavra, seu alvo não é o de constranger o homem à submissão, por um ato de autoridade crua; seu alvo é tomar nosso afeto com Sua irresistível glória. Assim sendo, se o alvo da pregação é glorificar a Deus então é necessário ter como objetivo uma submissão prazerosa ao reino dele, e não submissão fria.
Segundo capítulo, nos fala sobre “A Base Da Pregação”, Piper adverte dos dois grandes obstáculos para alcançar este alvo de glorificar a Deus na pregação: a justiça de Deus e o orgulho do homem. Piper declara “o que em Deus é justiça, no homem é pecado.
Entretanto há como superar essas dificuldades, a Cruz de Cristo. Realmente a cruz supera todo e qualquer obstáculo que nos impeça de glorificar a Deus. A cruz valida à pregação, sem a cruz não seria possível resistir à irrepreensível Justiça de Deus. A cruz da reconciliação como se referiu o apóstolo Paulo na Carta aos Romanos (Rm 3.23-26). “Deus não seria glorificado com a felicidade de suas criaturas corrompidas”.
Somente o que foi conquistado na cruz de Cristo autoriza na pregação. A base desta proclamação é a cruz de Cristo, porque ela é o poder de Deus para crucificar o orgulho de ambos, tanto dos pregadores como da congregação. A cruz de Cristo sem dúvida não somente valida a pregação e nos habilita a proclamar Sua Verdade, como também provê um fundamento para a humildade da pregação. A cruz de Cristo sempre executará no pregador sua justiça para abater o orgulho do homem no pregador.
Piper encerra com as palavras do apóstolo Paulo que a menos que o pregador seja crucificado, a pregação será esvaziada (1 Co 1.17).
No capitulo que segue, Piper recorda sobre alguns aspectos já abordados sobre a Pregação, em que o nosso alvo constante seja a glória de Deus (capítulo 1), e que a cruz seja à base de nossa pregação e a humilhação de nosso orgulho (capítulo 2). Entretanto, Piper chama-nos a refletir em que “o trabalho soberano do Espírito de Deus deve ser o poder pelo qual tudo é alcançado”.

Nossa absoluta dependência do Espírito Santo no serviço da pregação será determinante para sua eficácia. “Pois os perigos da autoconfiança e da auto-exaltação no ministério da pregação” conforme Piper nos levará até a cruz, a fim de sermos quebrantados. Sem esta dependência em nossa pregação, não terá valor, ainda que possam admirar nossa eloqüência. Pois não devemos nos esquecer, que para alcançar êxito, que a Palavra é inspirada por Ele e dirigida na pregação por Ele. Devemos honrar a Sua obra e a Sua Palavra, mas quando simplesmente manifestamos um pensamento para igreja sem mostrarmos onde se encontra na Palavra, estamos sendo contrários a esta devida honra.
Piper não propõe que “ler outros livros e conhecer o mundo contemporâneo não seja importante”, entretanto o perigo maior é negligenciar o estudo da Bíblia. De falar sobre tudo, menos da bíblia.
“Como é possível pregar de maneira que a pregação seja uma demonstração do poder de Deus e não do seu próprio?” O autor pergunta-se e ele diz estar tentando descobrir a resposta a esta pergunta na sua própria vida e pregação. Ele expõe aqui alguns passos, porém diz ser arriscado acreditar que seja assim que se prega no poder do Espírito Santo.
Primeiro ele admite perante o Senhor sua total impotência, “Sem ti, ó Deus, serei incapaz de fazer coisa alguma”. Segundo, suplicava por ajuda. Implorava por discernimento por humildade, amor, dos quais precisava para a glória do nome de Deus e para a alegria de seu povo. Costumava levantar cedo, preparava seu coração da melhor maneira possível antes de ir à igreja. E durante estes momentos Piper considerava importante, antes de estar no púlpito, uma promessa na Palavra a qual seria a base para o próximo passo em “ASCAA”, é assim que ele chama seus cinco passos
Então ele confiava, confiava, confiava… e sem muito ao que dizer sobre confiança, é preciso mesmo se lançar diante de Deus. Em quarto agia na confiança de que Deus iria cumprir sua Palavra. Isto levava ao passo final em que agradecia a Deus ao fim da mensagem, expressava sua gratidão por Deus o ter sustentado e a verdade e os benefícios de sua Palavra, foram alcançados na medida e no poder do Seu Espírito. “Seriedade e alegria na pregação” é o próximo capítulo do tema Supremacia de Deus na pregação. Piper define a intensidade de sentimento como argumentos poderosos, “as marcas da seriedade da pregação". Afirma Piper que o trabalho da pregação deve ser feito em "absoluta sinceridade". Piper acreditava que o contentamento e a sobriedade devem estar entrelaçados na vida e na pregação de um pastor. Afirma o autor que contentamento na pregação é um ato de amor, ainda acrescenta que se o pastor for indiferente à sua alegria ministerial e abandonar sua alegria no ministério da Palavra estará lutando contra Deus e contra seu povo. Ele refere-se às palavras do apóstolo Pedro em que diz “que o pastor deve pastorear o rebanho de Deus que está aos seus cuidados, olhando por ele; não por obrigação, mas de livre vontade, como Deus quer; não por ganância, mas desejosos de servir”(l Pe 5.2-3). Um pastor que não vive, de forma patente, alegre em Deus, não o glorifica. E também não é capaz de mostrar que Ele é glorioso. O contentamento na pregação é biblicamente essencial. Mas há diferença entre o gozo de na pregação e os sorrisos e as brincadeiras de tantos pastores. È necessário um senso de humor profundo e vigoroso. Piper orienta aos pregadores que cultive a seriedade e a alegria em sua pregação, empenhando-se em obter uma santidade de coração alegre, ou seja, não pode ser uma pessoa totalmente no púlpito e outra pessoa durante a semana com suas ovelhas. O autor também adverte: “Não se esforce para ser um determinado tipo de pregador. Empenhe-se por ser um tipo de pessoa!”
Tenha uma vida constante comunhão com Deus em oração, ainda leia livros escritos por aqueles que têm a Bíblia em seu sangue, conduza sua mente a respeito das circunstâncias comuns que acompanham a morte. Considere o ensinamento bíblico de grande responsabilidade, pois será julgado por falta da mesma. Considere o exemplo de Jesus. Não fique satisfeito apenas em guiar as pessoas as margens do rio da glória de Deus, mas como um diligente pastor leve as ovelhas até as águas tranqüilas e o campos verdejantes da glória de Deus.
Na segunda parte do livro em: “Como Tornar Deus Supremo Na Pregação - Orientações Do Ministério De Jonathan Edwards”, que como dissemos foi elaborada a partir das palestras de Jonathan Edwards. Piper descreve como é possível incluir e apresentar a soberania de Deus na pregação. Já é um grande início, para uma carreira promissora, escolher um grande teólogo e se dedicar, durante sua vida, a entender e dominar seu pensamento, e que em algum dia, ser capaz de "conversar" com este teólogo na condição de colega. O autor se tornou afeiçoado por Jonathan Edwards, diz ter nutrido sua alma com a beleza de Deus, renovou sua esperança e sua visão de ministério. Como grande admirador de Jonathan Edwards ainda passou a relatar mais da sua vida, aqui nesta obra, sobre ministério, exoneração do pastorado e morte.
No capítulo seguinte, em “Submeta-se a doce soberania - A teologia de Edwards”, diz Piper: “o que Jonathan Edwards pregava e como ele pregava eram extensões de sua visão de Deus”.
Através dos olhos de Piper podemos dizer sobre a teologia de Edwards em que “de tudo o que Deus faz é confirmar e manifestar a sua glória, ou seja, as ações de Deus nunca são motivadas para satisfazer suas deficiências”.
E por fim, no capítulo sete, torne Deus supremo que era a pregação de Edwards, Piper destaca o tipo de pregação que Deus usou para atear o Grande Avivamento na Nova Inglaterra. O diferencial da pregação de Edwards pode ser encontrado em dez características, em que Piper faz questão de destacar como valiosas para os nossos próprios dias, que serão como desafios relevantes, e não somente como fatos sobre Edwards. Estas características podem ser identificadas como:
“Desperte sentimentos santos”, ou seja, uma boa pregação tem como objetivo encorajar "emoções santas". “Ilumine a mente”, use do calor, do brilho, da intensidade de Deus para com as mentes dos ouvintes. “Sature com as Escrituras”, a verdadeira pregação começa com a Bíblia e termina na bíblia. “Empregue analogias e imagens”, faça com que as glórias celestiais e os tormentos do inferno pareçam reais em suas mentes, faça com que a igreja consiga entrar na história de Deus e o Espírito Santo os fará se tornar parte da história de Deus. “Use ameaça e advertências”, cada vez estão raros o seu devido uso na Igreja hoje em dia, a boa pregação inclui advertência. “Peça uma resposta”, a boa pregação apela ao povo para que responda à Palavra de Deus. “Sonde as operações do coração”, a pregação localiza, perfura e remove a infecção do pecado, mas para isso é preciso conhecer o coração do homem.
“Submeter-se ao Espírito Santo em oração”, é por este meio que o Espírito Santo auxilia o pregador. O Espírito Santo enche o coração do pregador com sentimentos e o coração enche a boca do pregador. Boas pregações vêm de bons momentos de orações particulares e com a igreja. Ainda destaca Piper que o pregador “Tenha um coração quebrantado e compassivo” é de um espírito quebrantado que Deus se aproxima, seja cativante. Diz o autor que um dos segredos do poder de Edwards no púlpito era “a ternura proveniente de seu coração quebrantado”, poder não é sinal de barulho, não é preciso ser desagradável para que os corações sejam quebrantados. Seja Intenso, isto quer dizer não rude, grosseiro. Fale como quem estar convencido de fato o que esta passando para igreja, e não como quem conta uma verdade como se estivesse contando uma mentira. Que o Deus de Jonathan Edwards abra os olhos de todos que já compartilham da grandeza Soberana de Deus, para que seja possível aproximar da grandeza de suas pregações.








CONCLUSÃO

Deus, Cristo e o Poder do Espírito Santo não podem ser coadjuvantes, mas os protagonistas de todo e qualquer cenário de nossas igrejas.
Pessoalmente será um desafio começar a fazer da pregação muito mais do que tenho feito, e deixar completamente algumas inclinações que não glorificam a Deus e nem o exaltam na beleza de Sua santidade como deve ser.
Tive dificuldades em compreender que tipo de pregação exatamente Piper está nos tentando fazer entender que não pode faltar nos púlpitos de nossas igrejas, faltou direcionamento mais especifico mais aplicável, pois ficou um pouco subjetivo.
Muitas mensagens moralistas e orientações seculares têm tomado espaço nos púlpitos, deixemos, pois para quem de fato compete, por outro lado a Igreja não deve se isentar de suas responsabilidades moral e social do seu povo, porém estes assuntos, até certo ponto na hora do púlpito, são irrelevantes, quando se trata de glorificar ao Senhor.
Que como pregadora da Palavra de Deus não fique ao pé da montanha, mas no alto da montanha. Para que a glória de Deus possa refletir o brilho da intensidade da Sua maravilhosa presença. E quando descer do alto da montanha para ao encontro do Seu povo, possa reproduzir a glória de Deus, a Cruz do Filho e o poder do Espírito. Pv 20.5 se fala de como é profundo o coração do homem, mas o homem inteligente o trará para fora. Que minha vida seja este homem inteligente usado por Deus para glorificar Seu nome.

Soli Deo Glória